Contra a investida de Roth, Carlos Ruiz Zafón desarma o ponta de lança, e segue encostado à linha lateral como se fosse um extremo, arrancando um pontapé de 30 metros ao angulo.
Saturday, November 25, 2006
Now reading
Contra a investida de Roth, Carlos Ruiz Zafón desarma o ponta de lança, e segue encostado à linha lateral como se fosse um extremo, arrancando um pontapé de 30 metros ao angulo.
Friday, November 24, 2006
time traveller
Thursday, November 23, 2006
Wednesday, November 22, 2006
passageiro intenso
foto de leonardo negrão, puxada daqui. poderia ter sido, mas aposto até que não foi, tirada no chiado.
o lançamento do "Cemitério dos Pianos" é na próxima segunda feira no Teatro São Luiz.
querida juliette
um assunto bem recente obriga-me a voltar a 1988.
nesse ano, nessa mesma noite, ensinei-lhe que beijos não se pedem. dão-se.
peço-lhe que se decida, de uma vez por todas, se se mantem como Sabina, tal como foi assumido nesse mesmo ano, ou se, como tem vindo a fazer desde há uns meses para cá, opta pela identidade da Tereza (que me havia sido atribuída).
acredite querida amiga, se a estima que tenho por si não fosse tão grande, a nossa amizade teria sido beliscada com este seu vai-vem identitário.
ps - um beijo para uma mulher é uma amostra do que pode acontecer, sabendo já que o não quer; para um homem é o acender do rastilho...isto é algo que não lhe poderia ter dito nessa altura.
com o mais puro dos afectos
lena olin
Saturday, November 11, 2006
Now reading
Para a minha amiga Paula
Céu e Terra
Os Dois Recheados de Manteiga
1. Esses dois recheados de manteiga, belos mestres de todas as criaturas, amplos e largos, fecundos de mel, lindamente adornados – céu e terra foram, pela lei de Varuna, disjuntos; sem envelhecer, eles são ricos em geração.
2. Incansáveis, ricos em correntes, recheados de leite, esses dois cujos votos são puros e nutridos de manteiga. Vós, duas metades do mundo, regentes deste universo, vertei sobre nós a semente que deu forma à humanidade.
3. O mortal que vos faz oferendas, ó metades do mundo, fontes de vigor, para que possa caminhar pelo trilho certo, deverá vingar; ele renasce pela sua prole como ordena a lei. Criaturas de várias formas mas com um só voto verteram de vós.
4. Guardados na manteiga estão o céu e a terra, belos na manteiga, saciados na manteiga, devoltos em manteiga. Amplos e largos, eles são os primeiros sacerdotes na escolha do sacerdote da oblação. É a eles que os sacerdotes oram quando buscam caridade.
5. Céu e terra que jorram com o mel, que são nutridos de mel, que têm mel por voto, deixai-os encharcar-nos em mel, trazendo o sacrifício e a prosperidade aos deuses, grande fama, o prémio da vitória e virilidade para nós.
6. Céu e terra, omniscientes pai e mãe que alcançam feitos maravilhosos – que inchem de comida que nos alimente. Deixai que as duas metades do mundo que juntos trabalham em benefício de todos nós, juntas lancem sobre nós o proveito, e o prémio da vitória e a prosperidade.
1200 A.C. - Texto originário da India
in Rosa do Mundo – 2001 poemas para o futuro
tradução: Manuel João Magalhães
Friday, November 10, 2006
Anos 80
«Diz-se que esta década foi fundamental na definição de toda a história posterior. Muitas das posturas adotadas nesse período, como o neo-liberalismo, um novo conservadorismo em relação ao sexo, derivado da pandemia da SIDA, que explodiu nessa década, a derrocada do comunismo e da postura clássica da esquerda como um todo, além do colapso da União Soviética, que resultou no domínio mundial total dos Estados Unidos da América|EUA], e até mesmo as atitudes desempenhadas em correntes artísticas como o cinema, a publicidade e a TV (com a valorização suprema da imagem) continuam soberanas e influentes até hoje.
Durante este período ocorreu o "boom" da informática e popularização do computador pessoal. Surgia uma nova forma de economia, baseada especialmente no conhecimento.»
Esta é a minha década! Em revista em Serralves até Março de 2007.
WIKIPÉDIA. Desenvolvido pela Wikimedia Foundation. Apresenta conteúdo enciclopédico. Disponível em:
Tuesday, November 07, 2006
Sunday, November 05, 2006
Friday, November 03, 2006
A Mão à Palmatória

Reconheço: sou uma das tais. Uma mulher como as outras. Um género. O Feminino.
Sempre detestei estereótipos, e ainda mais aqueles que enchem livrinhos de hipermercado sobre o género feminino e o masculino.
Mas tenho que reconhecer.
Tenho que reconhecer que gosto quiçá demasiado de colocar os pontos nos iiss.
Sempre foi assim.
Já em Novembro de 1998 (sim, é verdade, Carlos Lopes já tinha ganho a maratona em Los Angeles - aparte familiar) foi a frase determinante que me ouvi dizer e que tanto te assustou....
Hoje continuo a sentir a mesma necessidade. Tudo normal, até aqui.
Até que me lembrei daquela conversa maravilhosa que tive com o C.M., no recreio da escola, enquanto apanhávamos (tipo frutos de uma árvore) os nossos filhos numa sexta feira. O C. referia aquela mania que as mulheres têm de colocar os pontos nos is. E continuava e eu que gosto tanto das coisas assim no ar.....Mas as mulheres têm essa necessidade de passar um traço preto em cima das coisas. E eu vi, ali, o traço preto surgir à minha frente, vertical, entre mim e ele, tal era a sua eloquência... A conversa continuou deliciosa, entre referências literárias do seu agrado que ilustravam isso mesmo: o seu gosto por coisas voluveis.....
Pois é....
Revejo-me agora no estereótipo, eu que tanto os detesto.
É por estas e outras que tenho que deixar de citar Neruda (Agosto de 2006) no meu humilde e recatado blog. É para depois não levar com as palavras de volta para casa, como um cão com o rabo entre as pernas, ou mais simplesmente toma vai buscá-las, que é como hoje tanto se ouve dizer.
Thursday, November 02, 2006
Tentação (O Outono está à porta)

Um amigo de quem gosto muito aconselhou-me a ver esta exposição. E provocatoriamente anexou esta imagem, sabendo ele que eu não iria resistir....
A inauguração é hoje, dia 2 de Novembro, entre as 18 e as 23 horas.
A Exposição de BARAHONA POSSOLO estará na SALA DO VEADO do MUSEU NACIONAL DE HISTÓRIA NATURAL (no antigo edifício da faculdade de ciências, na Rua da Escola Politécnica, 58 Lisboa
Eu vou, claro. Tenho que ir ver como são os pés deste Deus.
Monday, October 30, 2006
Sunday, October 29, 2006
Tuesday, October 10, 2006
paradise garage
Friday, October 06, 2006
Thursday, September 28, 2006
Tuesday, September 19, 2006
Linha azul
A Epicurista ou auto-retrato
Friday, August 04, 2006
Morre lentamente
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Morre lentamente...
Pablo Neruda (via Daniel Blaufuks)
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Morre lentamente...
Pablo Neruda (via Daniel Blaufuks)
Friday, July 14, 2006
Wednesday, June 21, 2006
Tuesday, March 14, 2006
Teste Psicotécnico
Tuesday, February 21, 2006
Friday, February 17, 2006
I don't have your eyes
Thursday, February 16, 2006
Esgota-me dizia-me ontem Ruy Belo
...e eu aqui fiquei inactiva com o seu pedido a ecoar algures dentro de mim
Wednesday, February 15, 2006
Monday, November 14, 2005
Thursday, November 03, 2005
A elasticidade da línguagem dos afectos
- Gosto muito de ti manel. Agora vai dormir.
- Gosto de ti mãe.
- E eu de ti. Tu és o meu lindo.
- Tu és a minha linda.
- Tu és o meu querido.
- Tu és a minha querida.
- Tu és o meu sol.
- Tu és a minha lua.
- Tu és o meu filho.
- Tu és a minha filha.
- Tu és o meu amor.
- Tu és a minha amora.
- Tu és o meu tesouro.
- Tu és a minha tesoura.
- ????????????????????????
É mais fácil viver numa favela, do que sair dela
.... porque quando você sai, você não se reconhece em nada.
Seu Jorge
Seu Jorge
Wednesday, June 08, 2005
Life (love) sentences
- "Continua assim que estás a ir pelo bom caminho"
- "Porta-te bem"
- "Tudo ficará bem se correr bem"
- "Porta-te bem"
- "Tudo ficará bem se correr bem"
Chinesices
Vou-me arrepender de escrever isto, pois vou ser gozada à brava ou pior ainda, alvo de olhares de desprezo.
É que eu tenho uma teoria, ou melhor uma suspeita.
Eu acho (ou temo) que os nomes dos restaurantes chineses querem dizer algo mais do que pensamos, do tipo: "coma aqui gato que vai gostar", ou "os restaurantes dos parolos", "água suja", por aí fora. E nesse cenário acho que os chineses gozam o prato à nossa pala!!!
Sereia única pessoa a quem ocorre uma ideia tão bizarra???
É que eu tenho uma teoria, ou melhor uma suspeita.
Eu acho (ou temo) que os nomes dos restaurantes chineses querem dizer algo mais do que pensamos, do tipo: "coma aqui gato que vai gostar", ou "os restaurantes dos parolos", "água suja", por aí fora. E nesse cenário acho que os chineses gozam o prato à nossa pala!!!
Sereia única pessoa a quem ocorre uma ideia tão bizarra???
Wednesday, May 18, 2005
SOLD OUT
Está esgotado.
NÃO ACREDITO.
Que estúpida que eu sou.
Eu vou! Tenho que ir.
Não me interessa.
Quero ter 13 anos durante 90 minutos novamente!
Tuesday, May 17, 2005
Thursday, May 05, 2005
Como se não bastassem outros indícios...
....chegou a confirmação.
Há um bocado, senti que já tinha trabalhado bastante.
Olhei para o relógio e vi (sim, vi) que eram 16 45 minutos. Então, ala que se faz tarde, despedi-me de toda a gente e “bom fim de semana gente, se cuidem!”. Peguei na malinha e bati com a porta.
Quando arranquei com o carro vejo umas luzinhas vermelhas a piscar. Era o relógio. Olhei e voltei a olhar. Ainda não eram 16 h!!! Taquicardia. Vergonha. Então, de carão, viro no primeiro quarteirão em que pude, de volta ao trabalho.
Engoli e lá entrei cabisbaixa tentando passar despercebida, para trabalhar mais 45 minutos (dos quais 20 foram para escrever este post!).
Há um bocado, senti que já tinha trabalhado bastante.
Olhei para o relógio e vi (sim, vi) que eram 16 45 minutos. Então, ala que se faz tarde, despedi-me de toda a gente e “bom fim de semana gente, se cuidem!”. Peguei na malinha e bati com a porta.
Quando arranquei com o carro vejo umas luzinhas vermelhas a piscar. Era o relógio. Olhei e voltei a olhar. Ainda não eram 16 h!!! Taquicardia. Vergonha. Então, de carão, viro no primeiro quarteirão em que pude, de volta ao trabalho.
Engoli e lá entrei cabisbaixa tentando passar despercebida, para trabalhar mais 45 minutos (dos quais 20 foram para escrever este post!).
Tuesday, May 03, 2005
Thursday, March 24, 2005
ele há dias...
em que as imagens e as palavras (flourescentes) circulam tanto dentro da minha cabeça, que eu nem me consigo sentar.
Tuesday, March 22, 2005
Saturday, March 19, 2005
Não me tirem deste filme!!!!
Amigos de Alex:
- sexta feira à noite, no camarote do CCB, durante o Cirque Invisible, bebem champanhe
- passam dois dias juntos de manhã à noite a conversar no jardim
A fluir....
- sexta feira à noite, no camarote do CCB, durante o Cirque Invisible, bebem champanhe
- passam dois dias juntos de manhã à noite a conversar no jardim
A fluir....
Aviso à navegação
Apartir de hoje, os anónimos deste mundo já poderão comentar os meus posts à vontade.
turbilhão
« - Mãe, qual foi a primeira cor a aparecer?»
« - .............»
« - E o primeiro número? Qual foi o primeiro número?»
« - .............»
« - Sabes mãe, quando a minha fitinha se partir, eu vou ter uma quinta!!!»
« - foi o azul. e o zero. que bom!»
« - .............»
« - E o primeiro número? Qual foi o primeiro número?»
« - .............»
« - Sabes mãe, quando a minha fitinha se partir, eu vou ter uma quinta!!!»
« - foi o azul. e o zero. que bom!»
Experimento uma enorme sensação de estranheza
quando constato que a minha vida vai no sentido oposto ao das minhas amigas (das antigas, que graças a deus tenho umas bem boas e bem mais enquadradas nesta nova fase (fase????) da minha vida).
Saturday, March 12, 2005
A Festa
"É a expressão mais correcta e concreta da interacção humana, a partir dos conteúdos culturais subjacentes a qualquer expressão pessoal e interpessoal. (...)
Será a tal comunicação-abertura recíproca das «consciências», aquém ou além dos símbolos, numa quase fusão das pessoas, i.e. das ideias e dos valores.(...)
Implica, como acontece no transe que a ornamenta, dos mais variados modos, tantas vezes (excessos de palavras, actos, gestos e atitudes), a intensidade de uma descoberta vivencial ou existencial do humano, através da sua capacidade dita de extremos que é a fantasia: tornar-se outro, criar-se uma personagem imaginária é muito mais que uma actividade pessoal isolada, de fuga ao banal, ao coercivo ou de «despejo», libertação do acumulado, senão recalcado. (...)
Cada um de nós é radicalmente festivo porque imaginativo e imaginativo porque festivo. E tudo isso num fundo de expressividade radical que se manifesta em criatividade e transformação de ideias e valores, em lídima manifestação da actividade de fantasia e da temporalidade tridimensional, especificamente humana."
in Polis, Enciclopédia VERBO da Sociedade e do Estado, pag. 1411-1413
Será a tal comunicação-abertura recíproca das «consciências», aquém ou além dos símbolos, numa quase fusão das pessoas, i.e. das ideias e dos valores.(...)
Implica, como acontece no transe que a ornamenta, dos mais variados modos, tantas vezes (excessos de palavras, actos, gestos e atitudes), a intensidade de uma descoberta vivencial ou existencial do humano, através da sua capacidade dita de extremos que é a fantasia: tornar-se outro, criar-se uma personagem imaginária é muito mais que uma actividade pessoal isolada, de fuga ao banal, ao coercivo ou de «despejo», libertação do acumulado, senão recalcado. (...)
Cada um de nós é radicalmente festivo porque imaginativo e imaginativo porque festivo. E tudo isso num fundo de expressividade radical que se manifesta em criatividade e transformação de ideias e valores, em lídima manifestação da actividade de fantasia e da temporalidade tridimensional, especificamente humana."
in Polis, Enciclopédia VERBO da Sociedade e do Estado, pag. 1411-1413
Thursday, February 24, 2005
Estrelas no nosso Céu
Por vezes acontece-nos cruzarmo-nos com pessoas especiais.
Não me refiro a pessoas que são especiais para nós. Não é isso. Refiro-me a pessoas reconhecida e objectivamente especiais.
Pessoas que parecem feitas de uma substância gasosa e não de carne e osso.
Pessoas que vivem enquanto outras sobrevivem.
Pessoas que flutuam.
Pessoas que parecem ter uma essência etérea.
Pessoas para quem a felicidade é um estado de espírito permanente.
A felicidade dessas pessoas é um verdadeiro mistério, pois não decorre de nenhum facto da sua vida, ou das condições gerais da sua existência.
A sua felicidade é inerente, inacta.
Talvez por isso é possível encontrarmos pessoas assim de qualquer idade.
É o caso da Teresa que tem cinco anos (e é amiga do meu filho) e do meu avô que tem 86.
Este tipo de pessoas têm uma alma pura. E só o facto de estarmos perto delas faz com que nos sintamos protegidos pelo mesmo escudo que as protege, com a diferença que quando nos separamos, quem leva "a aura" consigo, são elas.
Lembro-me frequentemente da mesma imagem. A Teresa a aproximar-se da laranjeira que tem na sua casa da Cotovia, a colocar-se em bicos dos pés e a arrancar uma laranja. Depois, completamente indiferente aos quatro adultos e três crianças que a rodeavam, começa a descascá-la e a comê-la gomo a gomo, com toda a felicidade e serenidade deste mundo. Foi um daqueles momentos em que o tempo parece parar.
No caso do meu avô, lembro-me de sempre ter atribuído esta sua característica à sua infância passada em Goa. De ter sempre achado que ele ia buscar a felicidade às tardes passadas a roubar melancias com os amigos (em fila indiana, passando a melancia com o pé para o miúdo de trás e mantendo sempre a fachada de quem "está só a olhar"), e a comê-la com as mãos num muro que separava a estrada da praia.
Estas pessoas fazem amigos com muita facilidade, mesmo não tendo, na minha opinião, muito "jeito" para as relações. Isso deve-se - a meu ver - ao facto de viverem embriagadas pelo seu próprio estado de espírito, o que faz com que nem sempre sejam muito atentas ao outro.
No entanto, estas pessoas são como aquelas cartas que valem muitos pontos. E encontrá-las é, só por si, uma sorte muito grande. Não porque se possa aprender alguma coisa com elas (porque tal não é possível), mas porque é um prazer muito grande admirar e sentir (ainda que momentaneamente) os pózinhos que deixam cair.
Não me refiro a pessoas que são especiais para nós. Não é isso. Refiro-me a pessoas reconhecida e objectivamente especiais.
Pessoas que parecem feitas de uma substância gasosa e não de carne e osso.
Pessoas que vivem enquanto outras sobrevivem.
Pessoas que flutuam.
Pessoas que parecem ter uma essência etérea.
Pessoas para quem a felicidade é um estado de espírito permanente.
A felicidade dessas pessoas é um verdadeiro mistério, pois não decorre de nenhum facto da sua vida, ou das condições gerais da sua existência.
A sua felicidade é inerente, inacta.
Talvez por isso é possível encontrarmos pessoas assim de qualquer idade.
É o caso da Teresa que tem cinco anos (e é amiga do meu filho) e do meu avô que tem 86.
Este tipo de pessoas têm uma alma pura. E só o facto de estarmos perto delas faz com que nos sintamos protegidos pelo mesmo escudo que as protege, com a diferença que quando nos separamos, quem leva "a aura" consigo, são elas.
Lembro-me frequentemente da mesma imagem. A Teresa a aproximar-se da laranjeira que tem na sua casa da Cotovia, a colocar-se em bicos dos pés e a arrancar uma laranja. Depois, completamente indiferente aos quatro adultos e três crianças que a rodeavam, começa a descascá-la e a comê-la gomo a gomo, com toda a felicidade e serenidade deste mundo. Foi um daqueles momentos em que o tempo parece parar.
No caso do meu avô, lembro-me de sempre ter atribuído esta sua característica à sua infância passada em Goa. De ter sempre achado que ele ia buscar a felicidade às tardes passadas a roubar melancias com os amigos (em fila indiana, passando a melancia com o pé para o miúdo de trás e mantendo sempre a fachada de quem "está só a olhar"), e a comê-la com as mãos num muro que separava a estrada da praia.
Estas pessoas fazem amigos com muita facilidade, mesmo não tendo, na minha opinião, muito "jeito" para as relações. Isso deve-se - a meu ver - ao facto de viverem embriagadas pelo seu próprio estado de espírito, o que faz com que nem sempre sejam muito atentas ao outro.
No entanto, estas pessoas são como aquelas cartas que valem muitos pontos. E encontrá-las é, só por si, uma sorte muito grande. Não porque se possa aprender alguma coisa com elas (porque tal não é possível), mas porque é um prazer muito grande admirar e sentir (ainda que momentaneamente) os pózinhos que deixam cair.
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